Não é que eu saiba amar,
Mas é que pintei quadros a mais.
Disse que era amor,
Eram dores como atores principais.
Eram falsas esperanças,
Até contradições.
Era tapar os olhos ao óbvio
E ter falsas sensações.
Era sorrir e doer,
Pensar e fazer,
Era perguntar e saber
Que a corda estava prestes a romper.
Senhor, eu não peço demais!
Um amor para sempre
É preciso dizer
Ou quer que faça sinais?
Nesta fábrica parada
Que perdeu o valor,
Ouvi há tempos
Que pararam de fabricar o amor.
Peço desculpa,
Eu não tenho culpa.
A minha geração não quer amar,
Anda em festas, body counts, e quando vem um coração, dizem "ahh, é hora de bazar!"
Senhor, porque os ensinou assim?
Isso é amor?
Nunca fui ensinado a amar, nunca tive bons exemplos,
Mas isso é loucura noutro patamar.
Vocês dizem "para sempre"
E não conseguem ver um vídeo de meia hora.
É como querer ser futebolista
E não saber jogar à bola.
Vocês querem um carro e uma casa,
Mas não estão dispostos a trabalhar.
Despejam o dinheiro em festas
E dizem "amanhã é hora de mudar!"
Curioso, "amanhã" não mudam,
O ciclo viciou.
Isto nunca foi sobre dinheiro,
Foi sobre a falta de amor.
Olha, o que sobrou?
O que sobrou de vocês?
Magoaram mais corações
Que hoje dormem em almofadas de "porquês".
Senhor, eu não tenho culpa disso!
Não tenho culpa de eles não saberem amar.
Não devo ser culpado de uma coisa
Que nem sequer me pus a aplicar.
Que falta de noção,
Pararam a fábrica!
Porque as pessoas
Pararam de amar!
Ia eu ao sítio do costume,
Na fábrica do amor,
Tinha uma placa escrita:
"Encerrado, sem data de retorno a dispor".
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