E o que era suposto ajudar, atacou. O barco que era suposto remar, atracou. E nos? Nos como ficamos? Agarrados à boia. Como se houvesse salvação. Saiam pequenas palavras tal quase como se tivéssemos fé, ou quase como se acreditássemos que algo nos ajudaria, mas onde estávamos nos? A milhas de uma casa, a milhas de uma cidade, éramos um ser naufragado, com uma esperança e uma saudade. Não eram saudades de uma casa… eram saudades de uma mão para agarrar e de uma coberta para deitar. Fragatas, “um dia iremos de fragata”, do que valia a fragata, se não tínhamos tripulação? Do que valia canhões se não tínhamos munição? Do que valia esperança se não tínhamos fé? E do que valia sentir se nos deixaram incapacitados de sentir? “Fragatas, um dia iremos de fragatas”, lembrava-me eu a olhar uma fotografia que já nem cor tinha, “fragatas” disse eu em alto e bom tom numa sala de cadeiras vazias, “fragatas… um dia iríamos de fragatas…”
Os que mais falam de amor, são os que menos sabem amar… Antigamente olhava para esta frase, sem pensar, rotulava ela como uma mentira redonda, a verdade é que quem sabe, sente, não anda por ai dizer como tens de pintar o quadro, ele apenas pinta, porque o maior pintor, não é aquele que diz para usares amarelo ou cor-de-laranja, é aquele que faz arte com qualquer cor… Pedimos conselhos de dor, a quem nunca se magoou, pedimos conselhos de amor, a talvez quem nunca amou… Duas pessoas debatem sobre amor, duas pessoas loucamente apaixonadas, então o rapaz perdido pede o conselho, “Sabes o que é amor?”, o outro rapaz explica, explica o conceito de paixão a pensar que era amor, agora são 2 loucos apaixonados que pensam que sabem amar… Sempre escrevi sobre amar, desde mais novo até atualidade, cada vez escrevo menos, não porque parei de amar, mas porque me entreti a olhar para a cor do meu jardim… Não é que tenha amado menos, é...
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